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Escalas clínicas

Escala de Braden: calculadora online

Marque os seis itens e veja na hora o total e o risco de lesão por pressão. Logo abaixo da calculadora estão o que cada item avalia, como ler a pontuação e quando refazer a avaliação, com as fontes de cada informação.

Atualizado em

Calculadora da escala de Braden

Escolha uma opção em cada item. O total muda a cada clique, e a classificação aparece quando os seis itens estão marcados. Nada do que você marca é gravado nem enviado: a conta acontece no seu próprio navegador.

Percepção sensorial
Umidade
Atividade
Mobilidade
Nutrição
Fricção e cisalhamento

0 pontos (escala de 6 a 23)

Incompleta

0 de 6 itens marcados

Para que serve a escala de Braden

A escala de Braden estima o risco de uma pessoa desenvolver lesão por pressão. Foi publicada em 1987 na revista Nursing Research por Bergstrom, Braden e colegas, com um objetivo declarado no próprio artigo: identificar cedo quem está em risco. Os seis itens são percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição e fricção e cisalhamento.

No Brasil, a versão em português foi adaptada e validada por Paranhos e Santos em 1999. É a escala que a nota técnica da Anvisa sobre prevenção de lesão por pressão cita como exemplo de instrumento validado para avaliar o risco de quem é admitido num serviço de saúde.

O total serve para orientar a prevenção de acordo com o risco encontrado, como resume o protocolo do Hospital Universitário da UFGD. Ele não substitui o exame da pele: a mesma nota da Anvisa pede a avaliação completa da pele dos pacientes em risco, olhando as proeminências ósseas, como região sacral, calcâneos e trocânteres.

Quem aplica a escala de Braden

No estudo original, a escala foi aplicada por profissionais com formações diferentes. Com auxiliares e técnicos de enfermagem, a concordância entre avaliadores ficou entre 0,83 e 0,94; com enfermeiras, chegou a 0,99. Os autores concluem que a confiabilidade é muito satisfatória quando quem aplica é enfermeira.

Em hospital, quem preenche e com que frequência fica no protocolo da instituição. No do HU-UFGD, da rede Ebserh, o instrumento de classificação de risco é preenchido pelo enfermeiro. Se você atende por conta própria, em consultório ou em domicílio, a avaliação e o registro são seus.

Os seis itens, um por um

Cada nota de cada item tem uma descrição na versão brasileira. Os nomes abaixo são os da calculadora; as descrições resumem o formulário adaptado por Paranhos e Santos.

Percepção sensorial

Avalia a capacidade de reagir de forma significativa ao desconforto causado pela pressão. Na nota 1, a pessoa não reage a estímulo doloroso, seja pelo nível de consciência, pela sedação ou por perda de sensibilidade em quase todo o corpo. Na nota 2, só reage à dor e comunica o desconforto apenas com gemido ou agitação. Na nota 3, responde a comando verbal, mas nem sempre consegue dizer que precisa mudar de posição. Na nota 4, responde a comandos e não tem déficit que a impeça de sentir ou dizer que está com dor.

Umidade

Mede quanto a pele fica exposta à umidade, de suor, urina ou outra fonte. Na nota 1, a pele está molhada quase o tempo todo e a umidade aparece sempre que o paciente é movimentado. Na nota 2, está molhada com frequência e a roupa de cama precisa ser trocada pelo menos uma vez por turno. Na nota 3, pede uma troca extra por dia. Na nota 4, a pele costuma estar seca e a troca segue a rotina.

Atividade

É o grau de atividade física, ou o quanto a pessoa sai da cama. Acamado vale 1; confinado à cadeira, sem conseguir sustentar o próprio peso, vale 2; anda ocasionalmente, distâncias curtas, passando a maior parte do turno na cama ou na cadeira, vale 3; anda frequentemente, fora do quarto pelo menos duas vezes por dia, vale 4.

Mobilidade

É a capacidade de mudar e controlar a posição do corpo, inclusive deitado. O protocolo do HU-UFGD chama atenção para não confundir com atividade: atividade é se movimentar fora do leito, mobilidade é conseguir se reposicionar. Uma paciente restrita à cama pode ter atividade 1 e mobilidade 3, se ela mesma se ajeita com frequência. Totalmente imóvel vale 1, quando não faz nem pequenas mudanças sem ajuda; sem limitações vale 4.

Nutrição

Olha o padrão habitual de alimentação. Muito pobre (1): nunca come uma refeição completa, raramente mais de um terço do que é oferecido, ou está em jejum, com dieta líquida ou soro por mais de cinco dias. Provavelmente inadequada (2): come cerca de metade, ou recebe por sonda menos do que precisa. Adequada (3): come mais da metade da maioria das refeições, ou recebe sonda ou nutrição parenteral que provavelmente cobre a maior parte das necessidades. Excelente (4): come quase tudo e não recusa refeição.

Fricção e cisalhamento

É o único item que vai de 1 a 3. Fricção é o atrito da pele contra o lençol ou a cadeira. Cisalhamento é a força que aparece quando o corpo desliza sobre a superfície em que está apoiado. A nota da Anvisa descreve a lesão por pressão como resultado da pressão, ou da pressão combinada com o cisalhamento, e por isso recomenda inclinar o assento para a pessoa não escorregar para a frente na cadeira.

Na escala, problema (1) é quem precisa de ajuda moderada a máxima para se mover, não pode ser erguido sem a pele arrastar no lençol e escorrega com frequência na cama ou na cadeira. Problema potencial (2) é quem se move sem vigor ou com pouca ajuda e às vezes escorrega. Sem problema aparente (3) é quem se move sozinho e mantém boa posição.

Como interpretar a pontuação

Quanto menor o total, maior o risco. A tabela usa as faixas da calculadora, que têm os mesmos pontos de corte do protocolo do HU-UFGD e do formulário da versão brasileira.

PontuaçãoClassificação
6 a 9Risco muito alto
10 a 12Risco alto
13 e 14Risco moderado
15 a 18Risco leve
19 a 23Sem risco / risco baixo

O nome das faixas muda um pouco de documento para documento. O protocolo do HU-UFGD chama 15 a 18 de risco leve e acima de 18 de sem risco; o formulário da versão brasileira chama 15 a 18 de baixo risco. Os números de corte são os mesmos. No estudo original de 1987, com o corte em 16 pontos, a sensibilidade foi de 100% nos dois estudos de validade preditiva, e a especificidade ficou entre 64% e 90%.

Um exemplo. Paciente de 82 anos, acamada depois de uma fratura de fêmur, que só reage quando sente dor (2), com fralda trocada pelo menos uma vez por turno porque a pele fica molhada (2), sem sair da cama (1), que faz pequenas mudanças de posição mas não se vira sozinha (2), come metade das refeições (2) e escorrega na cama sempre que a cabeceira sobe (1). Total: 10, risco alto.

Quando refazer a avaliação

A nota técnica nº 05/2023 da Anvisa pede avaliação de risco com escala validada em todo paciente admitido, acompanhamento diário do risco durante a internação e nova avaliação quando a condição clínica muda. O protocolo do HU-UFGD põe números nisso: até 8 horas depois da admissão e, depois, todos os dias.

As duas fontes falam de paciente internado. Para o atendimento domiciliar e o consultório, nenhuma delas fixa um intervalo, mas o gatilho da mudança continua valendo: se a paciente ficou acamada, passou a comer menos ou começou a usar fralda, a pontuação da semana passada já não descreve o risco de hoje.

Para crianças, a nota da Anvisa indica a Braden Q, que tem itens próprios. Esta calculadora é a Braden, sem as adaptações da versão pediátrica.

A Braden no prontuário eletrônico

Na NurseUp, as escalas ficam na barra Escalas clínicas, dentro do atendimento: Braden, Morse, Glasgow, Norton e a escala visual analógica de dor. Na Braden, o botão Sugerir preenche o que a sua avaliação já mostra, como paciente acamado, incontinência registrada nas eliminações ou nutrição comprometida, e você confirma ou troca cada resposta antes de adicionar ao registro. Quem trata feridas encontra o resto do fluxo em prontuário para feridas e estomaterapia, e se a lesão já apareceu, o guia de evolução de feridas mostra como registrar cada curativo. O plano Free atende até 2 pacientes, com todas as funcionalidades clínicas.

Perguntas

Perguntas frequentes

Como calcular a escala de Braden?

Escolha a nota de cada um dos seis itens e some. Percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade e nutrição vão de 1 a 4, e fricção e cisalhamento vai de 1 a 3, então o total fica entre 6 e 23. A calculadora desta página faz a soma e mostra a faixa de risco.

Qual a pontuação da escala de Braden?

De 6 a 23 pontos. Até 9 é risco muito alto, de 10 a 12 risco alto, 13 e 14 risco moderado, de 15 a 18 risco leve, e de 19 a 23 sem risco ou risco baixo. Quanto menor o número, maior o risco.

O que é cisalhamento na escala de Braden?

É a força que aparece quando o corpo desliza sobre a superfície em que está apoiado, como quem escorrega na cama ou na cadeira. Na Braden, fricção e cisalhamento formam um item só: vale 1 para quem escorrega com frequência e não pode ser erguido sem a pele arrastar no lençol, e 3 para quem se move sozinho e mantém boa posição.

O que é umidade na escala de Braden?

É quanto a pele fica exposta à umidade, de suor, urina ou outra fonte. Vai de pele molhada quase o tempo todo (1) a pele geralmente seca, com troca de roupa de cama só na rotina (4).

Qual a diferença entre atividade e mobilidade na Braden?

Atividade é o quanto a pessoa sai da cama e anda. Mobilidade é a capacidade de mudar e controlar a posição do corpo, inclusive deitada. Uma paciente acamada pode ter atividade 1 e, ainda assim, mobilidade 3, se ela mesma se reposiciona com frequência.

Qual profissional aplica a escala de Braden?

Quem preenche em cada serviço fica no protocolo da instituição; no do HU-UFGD, é o enfermeiro. No estudo original, a escala foi aplicada por auxiliares, técnicos e enfermeiras, e a concordância entre avaliadores foi maior entre as enfermeiras.

De quanto em quanto tempo reavaliar a Braden?

Para pacientes internados, a nota técnica da Anvisa pede avaliação na admissão, acompanhamento diário e nova avaliação quando o quadro clínico muda. Fora do hospital não há intervalo fixo nessas fontes: refaça a escala sempre que algo mudar na mobilidade, na alimentação ou na continência.

Fontes e referências

  1. Bergstrom N, Braden BJ, Laguzza A, Holman V. The Braden Scale for Predicting Pressure Sore Risk. Nursing Research, 1987;36(4):205-210. Consultado em .
  2. Anvisa. Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 05/2023: práticas de segurança do paciente em serviços de saúde, prevenção de lesão por pressão. Consultado em .
  3. HU-UFGD/Ebserh. POP.DENF.056, versão 03 (2025): avaliação do risco de lesão por pressão utilizando a escala de Braden e Braden Q. Consultado em .
  4. Escala de Braden, versão adaptada e validada para o Brasil por Paranhos e Santos (1999): formulário publicado pela UFJF. Consultado em .

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