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Prontuário para feridas e estomaterapia
Ficha de avaliação de feridas e estomias, evolução por imagens lado a lado e Escala de Braden na consulta. Prontuário eletrônico para enfermagem em feridas.
Feridas e estomaterapia
Os tipos de cobertura (hidrogel, hidrocoloide, alginato, espuma, carvão ativado, prata, AGE, filme e outras), organizados pelo que você encontra no leito: o tipo de tecido e a quantidade de exsudato. No meio do texto tem uma tabela para decidir na hora.

Segunda-feira, você abre o armário da paciente e encontra meia caixa de hidrocoloide, dois alginatos e um hidrogel que sobrou de outro tratamento. A tentação é usar o que tem. Mas a cobertura sai da ferida, e não do armário.
O Manual de Padronização de Curativos da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, edição 2024, resume o critério em duas frases. A seleção deve se basear no tipo de tecido do leito da ferida. E deve considerar a quantidade de exsudato: ferida seca pede curativo que aumente a umidade, ferida que exsuda pede curativo que absorva, e a pele ao redor precisa de proteção contra maceração. O mesmo manual põe "remover a causa, tratar a causa" antes de qualquer curativo. Sem compressão na úlcera venosa ou sem alívio de pressão na lesão por pressão, a cobertura sozinha não resolve.
Antes de abrir a embalagem, então, responda três perguntas: que tecido predomina no leito (granulação, esfacelo, necrose), quanto exsuda (nada, pouco, moderado, muito) e se há sinais de infecção. Se a lesão for uma lesão por pressão, classifique o estágio antes; o guia de estágios da lesão por pressão ajuda, e a calculadora da Escala de Braden mostra o risco de surgirem outras.

As indicações abaixo vêm do Quadro Síntese de coberturas para lesão por pressão publicado por pesquisadoras da Universidade do Estado de Santa Catarina (adaptado do TelessaúdeRS e do manual de Campinas) e do manual da prefeitura de São Paulo. Os tempos de troca são referências; a orientação do fabricante também conta.
Gel que mantém o meio úmido e favorece o desbridamento autolítico. Indicado para lesões secas ou pouco exsudativas, com necrose ou esfacelo, e também para lesões granuladas e dolorosas. Não combina com ferida muito exsudativa. A troca fica entre 1 e 3 dias, conforme o exsudato; em ferida infectada, no máximo a cada 24 horas.
Placa (também existe em pasta, fibra e pó) que mantém a umidade e faz barreira. Indicado para feridas superficiais e não infectadas, com nenhum, pouco ou moderado exsudato. Contraindicado em ferida infectada, em cavidade e com muito tecido desvitalizado. Troca quando o gel extravasa ou a placa descola, no máximo a cada 7 dias.
Fibras derivadas de algas que viram gel em contato com o exsudato. Absorve muito, ajuda no desbridamento autolítico e tem efeito hemostático. Indicado para lesões sangrantes, muito exsudativas, com ou sem infecção, e cavitárias (na forma de fita). Não use em ferida seca ou superficial com pouco exsudato, nem como preventivo, nem sobre osso e tendão. Precisa de cobertura secundária.
Também chamada de hidrofibra. Absorve exsudato abundante, vira gel e reduz dor e trauma na troca. Indicada para lesões com exsudato moderado a abundante, cavitárias e sanguinolentas; existe com prata. Não deve ir em lesão seca.
Espuma de poliuretano, às vezes com camada de silicone que não gruda no leito. Absorve de moderado a intenso, protege contra maceração e se adapta ao contorno do corpo. Em placa para lesões planas, de preenchimento para as cavitárias. Não indicada para ferida seca ou com necrose seca.
Absorve exsudato e controla o odor; quando vem com prata, também age sobre as bactérias. Indicado para lesões infectadas e exsudativas, com ou sem odor. Contraindicado em ferida limpa, pouco exsudativa, hemorrágica, com necrose seca ou escara, e em queimadura. Troca inicial a cada 48 a 72 horas, conforme a saturação.
São antimicrobianos para reduzir a carga bacteriana em feridas infectadas ou com risco de infecção. O manual de São Paulo lembra que eles não substituem antibiótico sistêmico quando a infecção é profunda e que devem ser reavaliados com regularidade. O PHMB vem em solução para limpeza (deixada no leito por 10 a 15 minutos) e em gel, e não deve ser usado junto com sabonetes, pomadas, óleos ou enzimas. Um resumo da Cochrane sobre curativos e cremes com prata, com estudos sobretudo em queimaduras, não encontrou evidência suficiente de que eles previnam infecção ou acelerem a cicatrização. Registre por que começou e reavalie a cada troca.
Óleo vegetal com ácido linoleico, ácidos caprílico e cáprico e vitaminas A e E. Mantém o meio úmido e forma película protetora. O quadro da UDESC o indica em qualquer fase da cicatrização e o contraindica em lesão muito exsudativa ou infectada, com troca a cada 24 horas.
Película fina, impermeável, que deixa ver a pele. É cobertura de prevenção: proteção de áreas de risco e de pele íntegra com eritema, como no estágio 1 da lesão por pressão. Troca quando perde a transparência, descola ou aparece sinal de infecção.
Camada de contato que não gruda no leito e deixa o exsudato passar para a cobertura secundária. Boa para tecido de granulação com pouco exsudato e para feridas dolorosas ou friáveis. Sem silicone, precisa de cobertura secundária.
Agentes de desbridamento enzimático. A papaína vai de 2% a 10% conforme o tecido (as concentrações maiores para necrose, menores para granulação), não deve ser usada em quem tem alergia a látex e não deve entrar em contato com metal. A colagenase faz um desbridamento enzimático suave e não deve ser usada em tecido friável nem em lesão isquêmica. As duas pedem troca a cada 24 horas. A Resolução 787/2025 permite ao enfermeiro capacitado fazer desbridamento autolítico, instrumental conservador, mecânico, enzimático ou biológico.
A tabela junta o que os dois manuais dizem, na ordem em que você olha a ferida. A terceira coluna traz opções citadas pelos manuais, e quem escolhe é você, depois de avaliar a ferida.
| O que você encontra | Objetivo | Opções citadas | Evite |
|---|---|---|---|
| Pele íntegra em área de risco, ou eritema que não embranquece | Proteger | Filme transparente, creme barreira, protetor cutâneo | Alginato como preventivo |
| Granulação, pouco exsudato | Manter úmido e proteger o tecido novo | Hidrocoloide, malha não aderente, AGE, hidrogel | Alginato, carvão ativado |
| Granulação, exsudato moderado a intenso | Absorver e proteger a borda | Espuma, alginato, fibra gelificante | Hidrogel |
| Esfacelo em ferida seca ou pouco exsudativa | Desbridamento autolítico ou enzimático | Hidrogel, papaína, colagenase | Alginato, espuma |
| Esfacelo em ferida exsudativa | Absorver e desbridar | Alginato, fibra gelificante, espuma | Hidrocoloide com muito tecido desvitalizado |
| Necrose seca ou escara | Amolecer e desbridar, se indicado | Hidrogel, papaína em concentração maior, colagenase | Carvão, espuma, alginato; não remova escara estável em calcâneo ou membro isquêmico |
| Sinais de infecção ou odor | Reduzir carga bacteriana e controlar odor | Carvão ativado com prata, PHMB, alginato ou fibra com prata | Hidrocoloide |
| Sangramento | Hemostasia | Alginato de cálcio | Carvão ativado |
| Cavidade ou túnel | Preencher o espaço morto | Alginato em fita, fibra em fita, espuma de preenchimento | Hidrocoloide em placa |
A tabela não cobre tudo: úlcera arterial, pé diabético com isquemia e ferida neoplásica têm particularidades próprias.
Cobertura que funciona não precisa sair todo dia. O hidrocoloide pode ficar até 7 dias, a membrana de celulose até 12, segundo os manuais, enquanto alginato e hidrogel em ferida infectada pedem troca em até 24 horas. Um critério que aparece várias vezes no quadro da UDESC: a cobertura secundária saturada é sinal de troca, e o gel que extravasa pela borda também.
Na casa da paciente, isso muda a logística: uma cobertura que dura 3 dias pode significar duas visitas por semana em vez de sete. Se alguém troca entre as visitas, escreva na prescrição de cuidados a cobertura primária, a secundária, a frequência e o que observar.
A Resolução Cofen nº 787/2025 diz que cabe ao enfermeiro selecionar, indicar e prescrever coberturas (art. 4º) e pede que o registro traga os procedimentos e os materiais usados, para avaliar qualidade, segurança e custos. É com essa parte do registro que você sabe quanto custa cada curativo. O guia sobre quanto cobrar por curativo mostra como transformar isso em preço.
Na NurseUp, cada ferida tem a sua ficha, com leito, bordas, pele ao redor, exsudato, sinais de infecção e um campo para o tratamento aplicado e a cobertura. Na consulta seguinte, a evolução mostra ao lado a ferida do atendimento anterior, e as fotos ficam lado a lado na evolução por imagens. No plano Individual, o estoque controla as coberturas: entrada pela compra, baixa pelo uso, validade e custo médio por item. Veja como funciona no prontuário para feridas e estomaterapia.
Para esta semana: escolha uma ferida que não evolui há mais de duas visitas, refaça a avaliação do leito e do exsudato e confira na tabela se a cobertura em uso ainda faz sentido.
Perguntas
Os tipos que aparecem nos manuais brasileiros incluem hidrogel, hidrocoloide, alginato de cálcio, fibra gelificante (hidrofibra), espuma, carvão ativado, coberturas com prata ou PHMB, AGE, filme transparente e malhas não aderentes, além de agentes de desbridamento enzimático como papaína e colagenase.
Coberturas que absorvem: alginato de cálcio, fibra gelificante ou espuma, conforme o volume e a profundidade. Evite hidrogel e proteja a pele ao redor contra maceração.
Depende do exsudato. Em ferida seca ou pouco exsudativa, hidrogel ou desbridamento enzimático com papaína ou colagenase. Em ferida exsudativa, alginato ou fibra gelificante, que absorvem e ajudam no desbridamento autolítico.
Os manuais citam carvão ativado com prata, PHMB e alginato ou fibra gelificante com prata. Eles não substituem antibiótico sistêmico em infecção profunda e devem ser reavaliados com regularidade. Hidrocoloide é contraindicado.
Pode. A Resolução Cofen 787/2025 diz que cabe ao enfermeiro a seleção, a indicação e a prescrição de coberturas e tecnologias adjuvantes no cuidado a pessoas com lesões cutâneas (art. 4º).
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