Calculadora
Escala de Braden: calculadora online
Calculadora da escala de Braden com o total e o risco de lesão por pressão na hora, cada item explicado, tabela de pontuação e quando reavaliar, com fontes.
Feridas e estomaterapia
Como classificar uma lesão por pressão pelo consenso usado no Brasil e o que fica de fora dessa classificação. Depois, como descrever a lesão no prontuário e qual escala avalia o risco antes de ela aparecer.

Visita da tarde, um senhor de 79 anos acamado desde o AVC. Na troca de fralda, a filha aponta: "Ficou essa mancha vermelha aqui embaixo, apareceu ontem". Antes de pensar em cobertura: o que é isso, e em que estágio está?
O consenso define assim: dano localizado na pele e/ou nos tecidos moles subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea ou relacionado ao uso de dispositivo médico ou a outro artefato. A lesão pode estar em pele íntegra ou ser uma úlcera aberta, e pode ser dolorosa. Ela resulta de pressão intensa e/ou prolongada combinada com cisalhamento, e a tolerância do tecido pode ser afetada pelo microclima, pela nutrição, pela perfusão e pelas comorbidades.
O texto em português que se usa no Brasil é a "Classificação das lesões por pressão: Consenso NPUAP 2016, adaptada culturalmente para o Brasil", de Caliri e colaboradoras, divulgada pela SOBEST. É ele que aparece, por exemplo, num protocolo de hospital universitário federal e num webinar da Anvisa sobre prevenção.

As descrições seguem o texto do consenso, como está no protocolo de 2024 do Hospital Universitário Júlio Bandeira, da rede Ebserh.
Pele íntegra, com área localizada de eritema que não embranquece e que pode parecer diferente em pele escura. Eritema que embranquece, ou mudanças de sensibilidade, de temperatura ou de consistência (endurecimento), podem vir antes da mudança visível. Descoloração púrpura ou castanha não é estágio 1: pode indicar dano tissular profundo.
O leito é viável, rosa ou vermelho, úmido, e pode se apresentar como bolha intacta, com exsudato seroso, ou rompida. Gordura e tecidos profundos não aparecem. Não há tecido de granulação, esfacelo nem escara.
A gordura é visível e, com frequência, há tecido de granulação e epíbole, que é a borda enrolada. Pode haver esfacelo ou escara, descolamento e túneis. A profundidade varia com a região: onde há muita adiposidade, a lesão pode ser profunda. Não há exposição de fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso.
Há exposição, ou palpação direta, de fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso. Esfacelo ou escara podem estar visíveis, e epíbole, descolamento e túneis são frequentes.
Perda total da espessura da pele em que a extensão do dano não pode ser confirmada porque está encoberta por esfacelo ou escara. Quando o esfacelo ou a escara sai, aparece um estágio 3 ou 4. O consenso faz um alerta: escara estável, isto é, seca, aderente, sem eritema nem flutuação, em calcâneo ou em membro isquêmico não deve ser removida.
Pele intacta ou não, com área localizada e persistente de descoloração vermelho escura, marrom ou púrpura que não embranquece, ou separação da epiderme mostrando leito escurecido ou bolha com conteúdo sanguinolento. Dor e mudança de temperatura costumam vir antes da mudança de cor. A lesão pode evoluir rápido e revelar a extensão real, ou resolver sem perda de tecido.
A lesão relacionada a dispositivo médico costuma ter a forma do dispositivo e deve ser classificada pelos mesmos estágios. Pense no cateter nasal, na sonda, na máscara. A lesão em membranas mucosas aparece onde houve dispositivo, e pela anatomia do tecido não pode ser estadiada.
Na beira da cama, a classificação é uma sequência de perguntas. A tabela segue a ordem em que você olha.
| O que você observa | Classificação |
|---|---|
| Pele íntegra, vermelhidão que não clareia ao pressionar | Estágio 1 |
| Pele íntegra ou não, cor vermelho escura, marrom ou púrpura persistente, ou bolha de conteúdo sanguinolento | Tissular profunda |
| Bolha serosa, ou ferida rasa com leito rosa e úmido, sem granulação, esfacelo ou escara | Estágio 2 |
| Gordura visível, sem osso, tendão, músculo ou fáscia expostos | Estágio 3 |
| Osso, tendão, músculo, fáscia, ligamento ou cartilagem expostos ou palpáveis | Estágio 4 |
| Fundo encoberto por esfacelo ou escara, sem dar para ver a profundidade | Não classificável |
| Lesão em mucosa onde havia dispositivo | Membrana mucosa (sem estágio) |
Duas regras do consenso resolvem boa parte das dúvidas. Quando esfacelo ou escara impedem ver a profundidade, a lesão é não classificável, mesmo que você desconfie que seja um 3. E quando há tecido necrótico, subcutâneo, granulação, fáscia ou músculo visíveis, não é mais tissular profunda: é perda total de tecido, ou seja, não classificável, 3 ou 4.
O consenso pede para não usar o estágio 2 em lesões de pele associadas à umidade: dermatite associada à incontinência (DAI), dermatite intertriginosa, lesão de pele associada a adesivo médico, e feridas traumáticas como lesão por fricção, queimadura e abrasão. Na região sacral de quem usa fralda, olhe duas vezes antes de escrever estágio 2.
Da mesma forma, a categoria tissular profunda não serve para descrever condições vasculares, traumáticas, neuropáticas ou dermatológicas.
O estágio sozinho não basta. A Resolução Cofen nº 787/2025, que regulamenta o cuidado de enfermagem a pessoas com lesões cutâneas, lista o que o registro do enfermeiro deve ter: identificação da pessoa, etiologia da lesão, características da lesão (tipo de tecido, presença de infecção ou inflamação, exsudato quanto a aspecto, quantidade e odor, borda e pele perilesão), intervenções realizadas, prescrições de enfermagem, exames solicitados, encaminhamentos, assinatura e carimbo. Pede também o registro dos procedimentos e dos materiais usados.
Na prática, uma descrição completa responde, nesta ordem: onde está, qual estágio, quanto mede, o que tem no leito, como está o exsudato, como estão a borda e a pele ao redor, se há dor ou sinal de infecção, o que você fez e quando reavalia. Um exemplo, com dados fictícios:
Exemplo. Lesão por pressão estágio 2 em região sacral, 2,0 × 1,5 cm, leito rosado e úmido, sem esfacelo. Exsudato seroso em pequena quantidade, sem odor. Bordas regulares, pele perilesional com eritema que embranquece, sem maceração. Dor 2 de 10 na troca. Realizada limpeza com soro fisiológico 0,9% e aplicada a cobertura prescrita. Orientada a filha sobre mudança de decúbito. Reavaliação em 3 dias.
Sem medida e sem leito descrito, ninguém consegue comparar na visita seguinte. O guia de evolução de feridas traz um roteiro completo e um modelo de registro fotográfico.
Uma confusão comum: a Escala de Braden não classifica a lesão. Ela avalia o risco de a lesão aparecer, e por isso vale também para quem ainda tem a pele íntegra. No Brasil, a referência da versão em português é o estudo de Paranhos e Santos, de 1999, e a pontuação vai de 6 a 23: quanto menor, maior o risco. As faixas mostradas na apresentação do webinar da Anvisa sobre prevenção de lesão por pressão são estas: risco baixo de 15 a 18, moderado de 13 a 14, alto de 10 a 12 e muito alto com 9 ou menos.
A calculadora da Escala de Braden faz a conta e mostra a faixa. A mesma apresentação cita outras escalas, como a de Waterlow e, para terapia intensiva, a EVARUCI. O protocolo do hospital universitário usa a Braden a partir dos 13 anos e a Braden Q para crianças.
O risco orienta a prevenção. O protocolo do Hospital Universitário Júlio Bandeira associa cada faixa a medidas: no risco baixo, cronograma de mudança de decúbito, proteção de calcanhar e manejo de umidade; no moderado, posicionamento a 30 graus; no alto, mudança de decúbito a cada 2 horas. É um protocolo hospitalar, mas em casa quem vira o paciente de madrugada é a família, então escreva a frequência na prescrição de cuidados e mostre como fazer.
Você vê a pele nas visitas; a família vê todo dia. Ensine a filha a olhar as regiões de risco (sacral, calcâneos, trocânteres, ísquios, occipital, escápulas e maléolos) e a avisar quando aparecer vermelhidão que não some. E registre o que ensinou.
Na NurseUp, a Braden fica dentro do atendimento, com o escore calculado na hora e guardado na série histórica da paciente. A ficha de feridas tem a lesão por pressão como etiologia, com os estágios 1 a 4, não classificável e tissular profunda, além de campos para leito, bordas, pele perilesional, exsudato, sinais de infecção, medidas e a cobertura aplicada. A evolução mostra a ferida do atendimento anterior ao lado da atual. Veja o prontuário para feridas e estomaterapia.
Para a próxima visita: aplique a Braden em todo paciente acamado ou em cadeira que você acompanha e, se já houver lesão, reescreva a descrição seguindo a ordem do exemplo acima. Para escolher o que vai sobre a lesão, veja o guia de coberturas para feridas.
Perguntas
É um dano localizado na pele e/ou nos tecidos moles abaixo dela, geralmente sobre uma proeminência óssea ou ligado a um dispositivo médico, causado por pressão intensa e/ou prolongada combinada com cisalhamento. Pode estar em pele íntegra ou ser uma úlcera aberta.
Pelo consenso NPUAP 2016 adaptado para o Brasil: estágio 1 (pele íntegra com eritema que não embranquece), 2 (perda parcial com derme exposta), 3 (perda total com gordura visível), 4 (fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso expostos), não classificável (fundo encoberto por esfacelo ou escara) e tissular profunda (descoloração escura persistente).
Localização, estágio, medidas em centímetros, tipos de tecido do leito, exsudato (aspecto, quantidade e odor), borda, pele ao redor, dor, sinais de infecção, o que foi feito, materiais usados e data da reavaliação. São os itens que a Resolução Cofen 787/2025 pede no registro.
A Escala de Braden avalia o risco de a lesão aparecer, de 6 a 23 pontos, e quanto menor o escore, maior o risco. Ela não classifica uma lesão já instalada: para isso se usam os estágios do consenso.
É uma área localizada e persistente de cor vermelho escura, marrom ou púrpura que não embranquece, em pele intacta ou não, ou uma bolha com conteúdo sanguinolento. Resulta de pressão e cisalhamento na interface entre osso e músculo e pode evoluir rápido.
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Calculadora da escala de Braden com o total e o risco de lesão por pressão na hora, cada item explicado, tabela de pontuação e quando reavaliar, com fontes.
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